Um pouco da História de Alverca

Nas origens de Alverca, os vestígios mais antigos da presença humana na região foram encontrados nas formações geológicas fluviais do chamado terraço quaternário de Alverca, cujo ponto mais elevado se situa na Quinta do Pinheiro. São instrumentos de pedra lascada, os mais antigos dos quais podem datar-se do Paleolítico Inferior. Estes achados confirmam a ocupação dos terrenos junto do Tejo por grupos humanos que deambulavam naquela zona em busca de caça, pesca e recolhiam tudo o que a Natureza lhes punha à disposição.

A partir do Neolítico, com a descoberta da agricultura e da pastorícia, as comunidades ocuparam as elevações sobranceiras dos vales do Tejo e de Vialonga. Junto à Verdelha do Ruivo foram descobertos dois cemitérios dolménicos e na Moita Ladra um povoado datado deste período.

Na época romana, Alverca foi ponto de convergência de duas vias. Uma seguia o vale de Vialonga e era o caminho terrestre privilegiado de acesso a Lisboa (Olisipo) e a outra ladeava o rio, na direção da atual Póvoa de Santa Iria. Desta época encontra-se uma lápide funerária na parede exterior da antiga Casa da Câmara, para além de diversos achados arqueológicos na colina do castelo e no local da antiga Casa da Câmara que atestam um povoado rico com habitações revestidas a mármore e chão de mosaico, provavelmente devido à produção de sal, tendo em conta que a zona de estuário em Alverca permitia a extração desse produto tão valioso na antiguidade.

OO topónimo Alverca surge no período medieval, trata-se de uma palavra que deriva do árabe «Albirca» ou «Alborca» que significa terra alagadiça, a característica geográfica mais marcante na povoação.

Na Idade Média, Alverca é Vila e Condado, caracterizando-se pela existência de herdades, quintas e casais dentro dos seus limites. Em 1354 é doada às Capelas de D. Afonso IV.

No reinado de D. Pedro I, em 1357, surge-nos a primeira Carta de Confirmação do Concelho de Alverca.

O Tejo foi importante no desenvolvimento da vila, nomeadamente pela localização de três portos, na desembocadura do mesmo número de esteiros, através dos quais se fazia a comunicação de pessoas e bens.

A produção agrícola local baseava-se na cultura de cereais (trigo, cevada, milho), pomares (laranja), vinhas e oliveiras, pondo em movimento 12 azenhas, 30 lagares de vinho e 12 lagares de azeite. A oliveira em toda a região foi das árvores de enorme importância.

Em 1782 são construídos dois Padrões, a assinalar o termo da cidade de Lisboa – localizado no limite do ribeiro da Alfarrobeira, na Verdelha já na Freguesia do Forte da Casa, os quais referem que a Estrada Real, no troço entre Lisboa e os referidos padrões, era ladeada por oliveiras, cujo azeite se destinava à iluminação pública da cidade de Lisboa.

Em 1795, no reinado de D. Maria I é criado o lugar de Juiz de Fora em Alverca. Até essa data o concelho de Alverca era gerido por um Juiz Ordinário, eleito entre os “maiores” da terra.

O século XIX para Alverca foi tempo de mudança. É neste século que se dão alguns factos muito importantes que a longo prazo, viriam a mudar o cariz da Vila. A população no ano de 1801 é de 1642 habitantes. Em 24 de outubro de 1855 é extinto o Concelho de Alverca, passando a integrar o de Vila Franca de Xira. No ano seguinte, em 28 de outubro de 1856, Alverca foi das localidades pioneiras a ser servida pelos caminhos-de-ferro, quando D. Pedro V inaugurou a primeira linha ferroviária de Santa Apolónia ao Carregado, passando esta por Xabregas, Olivais, Póvoa, Alverca, Vila Franca de Xira e Castanheira. Alverca, em 1886 tem a primeira iluminação pública. Era a petróleo, com lampiões presos às paredes por uma consola de ferro. Em 1892, na Quinta da Figueira, é inaugurada uma “Fábrica Têxtil”, a primeira unidade fabril de vulto em Alverca, empregando 74 operários.

Inicio do Sec. XX

Alverca não acusa grandes modificações no seu quadro de vida. A população cresce lentamente de 1642 habitantes em 1801, para 1973 habitantes no ano de 1900. A vida económica mantém os seus traços dominantes, que eram a agricultura, a pesca, o sal, a criação de gado, os fornos de cal e os lagares de azeite.

Terra agrícola por excelência, fértil em água, as suas férteis planícies e aprazíveis quintas produziam em abundância produtos agrícolas.

Além dos pomares que produziam toda a fruta própria para a região da qual se destacava a laranja pela sua qualidade, as árvores que predominavam eram o pinheiro e a oliveira, cujas azeitonas se extraía excelente azeite.

Com a cultura da vinha, também se produzia vinho de muito boa qualidade.

Na criação de gado, predominava o porco, as vacas leiteiras, as cabras e ovelhas, das com o leite das quais se fabricavam queijos.

Os queijos fabricados em Alverca criaram fama em quase todo país. Nos últimos anos do século XIX o fabrico de queijo era quase exclusivo do lugar da Arcena, terra de grandes agricultores e lavradores.

No ano de 1930, a indústria caseira do queijo progrediu com a instalação de uma fábrica de queijos, a qual laborou até aos anos 70. As pessoas mais antigas afirmam que o queijo de Alverca deixou de ser produzido depois de grande parte dos rebanhos terem perecido nas cheias de novembro 1967.

Outra riqueza de grande importância foi a extração do sal. As salinas, junto ao Tejo, contribuíram grandemente para a economia da região. A extração era feita em duas marinhas. A marinha da Quintela e a marinha da Quinta das Drogas. Nelas se empregavam dezenas de salineiros durante a época da safra, no Verão, extraindo-se mais de 13.000 toneladas de sal por época. O sal extraído era de boa qualidade e empregava-se na indústria e alimentação. Talvez mais do que outras atividades, esta ligava os trabalhadores à terra e ao rio, numa terra de tradição alagadiça. Com o prolongamento do Campo de Aviação e a implantação de indústrias, foram substituindo as salinas e secundarizando a sua importância.

Em 1918, é criado o Parque de Material Aeronáutico, que se instala entre a via-férrea e o Tejo, passando em 1928 a designar-se Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, que desde logo, desempenha um importante papel no emprego e fixação da população. Em 1918 empregava 150 trabalhadores, 366 trabalhadores em 1930 e 1025 trabalhadores em 1958. Porém, é a partir da 2ª Guerra Mundial que as indústrias se instalam massivamente na zona, e onde se assiste a uma explosão demográfica.

Pós II Guerra Mundial

A população em 1930 sobe para 3346 habitantes, dando-se o grande aumento da população na segunda metade deste século. 4665 habitantes em 1950, 15000 habitantes nos anos 70, 23706 habitantes em 1992 e 32000 habitantes no ano 2000.

Em 28 de maio de 1961, é inaugurado o primeiro troço da Autoestrada do Norte, com um nó de acesso próximo do núcleo urbano de Alverca, que reforça a acessibilidade à capital.

Em 16 de junho de 1963, foi inaugurado o primeiro posto da Guarda Nacional Republicana no edifício da antiga Casa da Câmara.

Alverca, em 1968 tem na freguesia 33 indústrias, tornando-se um dos grandes baluartes da economia nacional em virtude das indústrias, aqui instaladas, serem de vital importância, como são o caso da OGMA e da MAGUE (indústria metalomecânica), criada em 1957.

Terra de situação privilegiada, desde os seus bons ares até aos meios de comunicação, tornou-se com os novos planos de urbanização moderna e confortável.

Paralelamente, os lugares progrediram ou acompanharam o desenvolvimento.

Alverca é elevada à categoria de Cidade a 9 de agosto de 1990.


Cronologia

Paleolítico Inferior (Acheulense) – Instrumentos de pedra lascada encontrados no terraço quaternário de Alverca

Bronze final – são encontrados vestígios de ocupação no local onde hoje se encontra o Museu Municipal – Núcleo de Alverca

Época Romana – Diversos materiais atestam o povoamento na colina do castelo

1354 – Doação da Vila de Alverca às Capelas de D. Afonso IV

1357 – Dom Pedro I emite carta de confirmação do Concelho de Alverca

1379 – Carta de privilégios concedida por D. Fernando aos moradores da Quinta do Adarse.

1434 – D. Duarte emite carta de confirmação do Concelho de Alverca

1439 – Nova carta de confirmação do concelho de Alverca emitida por D. Afonso V

1449 – Batalha de Alfarrobeira, junto a Alverca, entre o Infante D. Pedro e D. Afonso V. O corpo do Infante é sepultado, temporariamente, na Igreja de São Pedro de Alverca.

1514 – D. Manuel recebe em Alverca a notícia da chegada de duas naus à Índia.

1530 – Edificação do pelourinho.

1552 – Dos portos de Alverca vêm regularmente a Lisboa dois barcos, três vezes por semana, segundo João Brandão de Buarcos.

1597 – Construção da Misericórdia com hospital e igreja.

1599 – Duarte Nunes de Leão escreve em Alverca “A Descrição do Reino de Portugal”.

1600 – É construído o convento da Ordem de Carmelitas Observantes, ou Calçados, dedicado a São Romão, Bispo de Ruão.

1687 – É reconstruída a Igreja Matriz.

1746 – D. João V concede Feira Franca nos dias 15 a 17 de julho

1747 – O Porto de Alverca é muito frequentado por bateiras e barcos (segundo o Padre Luís de Cardoso).

1755 – No dia 1 de novembro o terramoto deixa grande parte da vila em ruínas. Não há registo de mortos.

1764 – É reconstruída a Casa da Câmara.

1795 – É criado o lugar de juiz de fora de Alhandra e Alverca.

1834 – É extinto o Convento de São Romão.

1836 – A Freguesia do Sobral (atual Sobralinho) é extinta, passando a integrar Alverca.

1855 – É extinto o Concelho de Alverca, passando a integrar o de Vila Franca de Xira.

1856 – Inauguração do troço de Linha Férrea Lisboa – Carregado.

1874 – Fundação da Sociedade Filarmónica de Recreio Alverquense.

1889 – Fundação da Associação de Socorros Mútuos.

1918 – O Parque de Material Aeronáutico instala-se em Alverca.

1926 – Fundação da corporação de Bombeiros Voluntários.

1928 – O Parque de Material Aeronáutico passa a designar-se “Oficinas Gerais de Material Aeronáutico”.

1934 – A comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses aprova o novo brasão de armas de Alverca, baseado em mitos e não em factos históricos.

1957 – É criada a indústria de construções metalomecânicas MAGUE, SARL.

1961 – Construção do primeiro troço da Autoestrada do Norte.

1967 – As cheias que ocorreram na noite de 25 para 26 de novembro causam a morte de inúmeras pessoas, dos rebanhos essenciais para a produção de queijo e avultados danos materiais.

1990 – Em 9 de agosto, a Freguesia de Alverca é elevada a Cidade.

2005 – A 1 de maio é inaugurada a Igreja dos Pastorinhos


Texto: Portal Alverca


Origens do Sobralinho

A vila do Sobralinho é muito recente, mas a sua população tem uma longa história, da qual o presente não pode desligar-se.

Sobralinho nem sempre foi assim chamada. Há aproximadamente nove séculos, após a conquista de Lisboa aos Mouros por D. Afonso Henriques, toda esta zona começou a ser povoada, tendo então ganho a designação O Lugar do Sobral.

A origem da palavra Sobralinho aparece, assim, ligada à freguesia do Sobral, localizada nas proximidades do Mosteiro dos Frades Antoninos, fundado em 1590 por D. Francisco de Sousa e construído na Quinta da Capacharica.

A ocupação humana da região que engloba a atual Vila do Sobralinho, remonta à época do ‘paleolítico inferior’ e, tal como todas as outras freguesias do concelho, encontra-se ligada ao condicionalismo físico das proximidades do rio Tejo.

Os vestígios encontrados na área da freguesia são instrumentos de pedra lascada, recolhidos nas formações geológicas fluviais do terraço quaternário de Alverca, cujo ponto mais alto se situa no Alto do Pinheiro. Porém, são do período do ‘neolitico’ e muito mais notório do ‘calcólitico’, os objetos que aparecem e que comprovam a presença humana e povoamento na freguesia do Sobralinho.

Em 1147, D. Afonso Henriques toma a região de Lisboa aos mouros e inicia o seu repovoamento. Nessa altura, o termo de Vila de Alverca, correspondia à atual freguesia do Sobralinho e repartia-se pelos lugares denominados de Sobral Grande e Aldeia, originando, mais tarde, os topónimos.

Como em muitas outras regiões, predominava a agricultura. Ao consumo próprio e comércio desses produtos juntavam-se outros, recolhidos nas lezírias e áreas envolventes da margem direita do rio Tejo. As populações sobreviviam, então, com o cultivo do trigo, do milho, da cevada, dos legumes, do fabrico do azeite, do queijo e do vinho, do gado e da caça.

Quando, no século XIX, se deu a reforma administrativa das províncias, distritos e lugares, Vila Franca de Xira integrou-se no quadro de reordenamento geral dos municípios promovido pelo regime liberal. Em 1855 foram extintos vários concelhos, entre os quais se incluía o de Alverca do Ribatejo, mas o lugar do Sobral Grande continuava a pertencer-lhe.

A alta nobreza apreciava e possuía grandes propriedades, onde construíram e restauraram casas solarengas e palacetes. Membros da Coroa nacional e nobres de outras nacionalidades frequentavam essas propriedades, mais concretamente, o Palácio (à época ‘Solar’) do Sobralinho. Quando o 7º conde de Vilaflor, o Duque da Terceira, tomou posse do imóvel, ali passou a receber monarcas, como D. Maria I, D. Pedro V, D. Estefânia e D. Maria II.

A economia local organizava-se em torno das casas agrícolas e das quintas, como a do Pinheiro e a do Duque da Terceira.

A partir da ‘regeneração’, iniciaram-se tentativas de implantação da industrialização. Toda esta região teve um papel muito importante neste sector, cujo desenvolvimento foi consolidado já no decorrer do século XX.

Na Quinta de Figueira, situada no Sobralinho, instalou-se uma fábrica transformadora de tecidos de linho, juta e fazendas de lã. Atingiu o seu auge no século XIX mas, como muitas outras fábricas, acabou por fechar na década de oitenta. Enquanto se manteve ativa contribuiu para o aumento significativo da população.

Pelo Decreto 12161, o Sobralinho passou a pertencer à freguesia de Alverca do Ribatejo, a partir de 21 de agosto de 1926.

Em 11 de Julho de 1985, o Sobralinho e a Aldeia, já unidos a nível espacial, congregam esforços ideológicos e permitem projetar a freguesia apenas sob o topónimo de Sobralinho.

Como resultado de grande reivindicação, a lei nº 119/85 de 4 de Outubro de 1985, consagra, finalmente, a criação da freguesia do Sobralinho, tornando-a autónoma de Alverca do Ribatejo.

A partir desta data, a nova freguesia começa a progredir e, devido a este facto, no dia 4 de Junho de 1997 é elevada a condição de Vila.

Já no ano de 2013, com a lei n.º11A de 28 de janeiro, a freguesia do Sobralinho perde a independência administrativa e agrega-se à freguesia de Alverca do Ribatejo, formando a União das Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho.


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Sábado, dia 13 de junho, a partir das 21H, festeje os Santos Populares, em segurança, na janela de sua casa.


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